Declaração

Gostar de alguém é exercitar a sua capacidade de olhar pra dentro. É despir-se de todos os medos, achismos e convicções. É abrir espaço para o novo, para as diferenças, para o que o outro tem a acrescentar ao que somos. É fazer um passeio com os pés descalços, tateando o solo como quem experimenta a caminhada pela primeira vez.

Gostar de alguém é aceitar que não se pode ter todas as respostas e descobrir que a graça mora exatamente aí, nesse não (ter que) saber. É apostar todas as suas fichas num futuro que pode ser amanhã ou muitos anos além. É acreditar na beleza dos encontros, que faz com que duas estradas se cruzem no momento exato. Nem antes, nem depois.

Gostar de alguém é experimentar a própria existência de um novo jeito, com cores inéditas e um gosto renovado. É saber-se merecedor de um bem que não se compra, não se vende, não se empresta.

Gostar de alguém é o que nos torna mais parecidos com aquilo que queremos ser. E receber isso de volta é o conforto que nosso coração precisa para saber que pode continuar gostando, porque encontrou, enfim, um motivo para não desistir.

Gostar de alguém é, essencialmente, ter toda coragem de sentir e vergonha nenhuma em admitir…

 

Para Rafael Ielo, a razão desse gostar que me transborda…

conflito

Meu coração não tem filtro.

Vai amando quem decide amar, sem medir consequências, sem o cuidado de se preservar.

Simplesmente vai.

E se eu consigo me salvar de alguma dor, é pela escolha da razão.

Mas o coração segue teimando…

pois é

‎Às vezes não é sumiço.
É só a vida abrindo espaço para coisas mais interessantes…

soltando os pesos do balão

Não vou chorar a falta de um amor. Não vou me debruçar sobre o passado para desenhá-lo mais bonito do que realmente foi. Não vou lamentar estar sozinha nessa noite fria de sábado. Não vou tentar me contentar com menos do que mereço. Não vou tentar encaixar qualquer pessoa num lugar que está reservado para o homem que Deus, o Universo e os Anjos prepararam pra mim.

Não vou correr atrás de seu ninguém. Nem das tais borboletas. Não vou implorar atenção, nem em pensamento. Não vou tentar alternativas, facilitar encontros, provocar situações, ter iniciativa, buscar atalhos, pedir ajuda. Não vou mais insistir no que não serve.

Tô jogando fora o modelo, o padrão, o jeito antigo, a forma equivocada, a pressa, a agonia, a ansiedade, o atropelo, as palavras ditas na hora errada, as atitudes precipitadas, as conclusões ou românticas demais ou absurdamente críticas.

Tô abrindo mão da busca, da luta, da dificuldade, dos encontros tortos, dos discursos cansativos, das atitudes infantis, das reações imaturas, das decepções, dos tropeços nas mesmas e tão conhecidas pedras.

Tô me libertando de todo o ranço, de todos os vícios, de toda a fantasia que embaça os olhos, de toda a ingenuidade que machuca o peito, de toda a culpa que me leva sempre pros mesmos labirintos.

Tô chutando o balde, chacoalhando as lixeiras, esvaziando as gavetas, descartando o que não tem utilidade, entregando pra Deus o destino e o que mais esteja por vir. Cansei de tentar. Cansei de procurar. Cansei de achar que era e descobrir que nunca foi. Cansei de me arrumar para quem não me enxerga. Cansei de me expor para quem não me compreende. Cansei de me entregar para quem não faz por merecer. Cansei desse vai e vem que nunca de fato VAI.

Cansei dessa espera, dessa contagem regressiva, dessa tolice de achar que esse sim é ‘o cara’. Cansei de me enganar, de tentar me encaixar no espaço que o outro deixou pra mim, sempre tão restrito, tão insuficiente para a minha grandeza. Cansei de colocar meu coração na bandeja e oferecê-lo para degustação de qualquer um. Cansei de interpretar um papel para o qual não tenho o menor talento, a menor vocação.

Cansei de ser boazinha demais com o outro e ser mazinha demais comigo. Cansei de me preocupar se o outro, por que o outro, talvez o outro, quem sabe o outro. Cansei de olhar pra fora e ver tanta coisa feia. Cansei de olhar pra fora. Cansei de me deixar de lado, pensando que isso tudo que eu sou só vai ganhar sentido quando houver outra mão segurando a minha. Cansei de achar que minha mão precisa de outra. Cansei de acreditar em conto de fada, em mocinho, bandido, princesa, bruxa e maçã envenenada.

Eu quero a vida real. A vida que nos esfola e nos acarinha todos os dias. A vida que é pra poucos, que é pros fortes, pros corajosos, pros que são mais do que parecem ser. Eu quero o todo. O copo cheio. Eu, inteira. Transbordando de mim. A felicidade tendo que se ajeitar nas minhas fronteiras para caber.

Eu quero o que é simples, mas não é sem graça, nem sem valor, muito menos sem emoção. Eu quero o que é belo, mas que não se alimenta só da beleza. Eu quero também o conteúdo, o verbo, o verso, a prosa, a poesia. Eu quero a doçura de um encontro despretensioso, que eu nunca sonhei que pudesse acontecer. Eu quero a sorte de me perceber pisando em nuvens. Eu quero o sopro do vento trazendo as novidades e esvoaçando as cortinas da minha paz.

Eu quero esse embaraço no primeiro encontro, esse não saber o que fazer por alguns instantes, essa coisa de olhar e desviar o olhar durante um sorriso. Eu quero um carinho gratuito, espontâneo, autêntico. Quero a presença de quem possa vir trazendo tudo de si, não somente o que é mais bonito de se mostrar. Quero o privilégio de ser tão eu, que o outro possa ser tão ele quando nos encontrarmos, e assim, nós seremos tão nós.

Quero aquela certeza que se constrói no correr dos dias, com os pés enterrados no chão enquanto o coração sobrevoa o infinito. Quero um ombro, um colo, um jeito de me compreender que faça parecer bonito acreditar em tudo isso. Quero. Quero. Quero. Eu sei. E o que eu não quero, sei ainda mais.

Que a vida, com todo seu poder de fazer acontecer, se encarregue de cuidar de tudo aquilo que hoje eu estou – humildemente – reconhecendo não ter a menor capacidade de fazê-lo…

Amém!

pequenas conquistas

… É que tem dias em que a gente tem certeza de que nasceu para ser FELIZ,
e de que nada, nada (nada!!!) será capaz de impedir essa felicidade de acontecer!

“Tudo que vale a pena ter, vale a pena esperar…”

 

CICLO

Eu, semente.
Pelas tuas mãos semeada.
Terra fecunda, teus beijos.
O subsolo, minha morada.

Germinei bonita.
Fui renascendo em flores.
O sol da tua presença
A regar todas as minhas dores.

Brotei pra vida.
Milagre que fizeste de mim.
Antes, promessa partida.
Hoje, eu inteira, jardim!

(26/05/2006)

Imagem

shhhhh

O ano começa em silêncio. Aqui dentro, só a vontade de ouvir o que a vida tem a me dizer…

 

 

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