Archive for outubro \24\UTC 2005

raridade

A gente não sabe muito bem onde isso vai dar, mas também não quer desistir e nem pensar. O longe é um lugar ruim. Faz doer a saudade, descolore os dias, emudece as gargalhadas. O perto é mais confortável. É de fato uma tortura, mas a gente aprendeu a se deliciar mais do que sofrer. Os corações pulsam num ritmo coreografado, as sensações nos colocam na mesma freqüência, o desejo nos aproxima e faz de nós testemunhas de uma sincronia que é sentida há quilômetros. O futuro pode parecer impossível, mas talvez seja esse o detalhe que faça tudo ganhar sabor de coisa muito especial. Eu, que já tive pressa, agora consigo aceitar o tempo caminhando na lentidão dos segundos. Só que quando você se aproxima, os ponteiros surtam e correm mais que a velocidade dos nossos pensamentos. Eu te quis pra mim, eu me fiz pronta pra ti, eu investi nesse amor. Revelei meus segredos, confessei minhas intenções, abri a ti a minha alma sem sentir-me erroneamente exposta. Sem ter sucesso nas minhas tentativas, por vezes pensei em te dar as costas e seguir por outra estrada, mas o amor já estava enraizado, já havia feito morada no meu coração. Então não fui. Permaneci. Permaneço ainda. E embora tudo seja muito incerto. Ou até certo demais de que não vai acontecer… O amor não morre. Não morre. E se ele não morre, como posso partir? E assim os meses passam, construindo nossa história que é vivida dia após dia sem saber-se inteira em tempo algum. Mas vou dizer que sou triste por conta disso? Impossível. Por mais distante que tu estejas, por menor que seja o nosso convívio… É grande o amor que se alimenta de si mesmo. Que não precisa de garantias. Que não pede nada. Que não ousa sonhar com o dia seguinte. Apenas é. Porque não encontra outra maneira. E amor assim, que prevalece diante até do impossível… Só pode ser de verdade. E se de fato o é… Que ele exista. Porque amor de verdade como o nosso é espécie em extinção. Merece, no mínimo, que seja dignamente preservado. E assim eu te preservo no meu coração… Até que eu consiga olhar nos teus olhos e não saber-te mais o meu amor!