Archive for abril \28\UTC 2009

boa noite!

impossibility

De tanto me fazer de forte, acho que cansei. Sobrou pouco daquela coragem toda que eu quis mostrar ao mundo que tinha. E aqui estou eu. Nem tão guerreira assim, nem tão destemida assim, nem tão inteira assim. Desfiz o pacto com a vida de ser sempre o bom exemplo, porque não encontro mais sentido em me fazer tamanha exigência.  Descalcei a responsabilidade que me cobra atitudes impecáveis, planos perfeitos e resultados gloriosos. E ainda vou conseguir lançar ao mar essa inquietude que, vez ou outra, aparece e ensaia me jogar pra fora da estrada. Mas enquanto isso não acontece, o jeito é ir alinhavando os acontecimentos, bons e ruins, para fazer deles uma colcha de retalhos… Que possa me cobrir e me fazer sonhar novamente.

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incólume

Bird has Flown

De fato, o mundo lá fora é a leitura que fazemos, individualmente, a partir de nossos olhos e alma. Vemos o mundo como somos, e não como ele de fato é. Por isso, eu continuo acreditando na sinceridade alheia, na benevolência, na verdade dos abraços, na cumplicidade dos sorrisos. E, embora as pessoas me ofereçam coisas muito mais sujas que essas que tento ver, eu AINDA acredito, porque o que de mim transborda é belo e límpido. Felizmente, eu aprendi a não me contaminar com a podridão do mundo. Aliás, eu me recuso a ser como são tantos.

intrigante

Ando me perguntando para onde foram aquelas criaturas que acreditavam no amor, na entrega, na cumplicidade, na verdade de um sorriso, no poder inigualável de um abraço dado com sentimento. Meu caminho tem sido atravessado por tanta gente que já desistiu, que se fechou dentro da concha, que não se permite mais, que desacreditou…  Até me espanta a capacidade de atrair pra perto de mim esses corações endurecidos, essas mentes inflexíveis, esses seres de pouca fé. A conclusão a que chego é que sobra desilusão e falta coragem. Deixar o coração endurecer é admitir que não há mais possibilidades. É contar com a resposta antes mesmo de viver a pergunta. É aceitar que nunca mais vai dar certo, só porque até hoje não deu. E, sinceramente, se olharmos bem de perto, será que não deu mesmo?!

caindo em Si

felicidade

Eu tinha medo, vacilava, achava que não conseguiria, vivia à espera, duvidava de mim, questionava tudo (e demasiadamente), buscava uma explicação lógica e convincente para todas as coisas que me aconteciam ou não. Dia sim, dia não, perdia um pouco da fé. E me perdia de mim mesma. Aflita, tentava pedir que o mundo me fosse mais colorido, mais gentil. E carregava comigo a frustração de não ser atendida.

Hoje eu sinto uma brisa mansa tocar meu rosto, anunciando um novo tempo. Um momento inédito de refeitura, de passos mais firmes, de mente serena, de coração tranquilo, de alma surpreendentemente em paz.

Hoje eu consigo crer no meu poder de transformar o mundo ao meu redor. E vejo a minha fé se fortalecer a cada tropeço. E esses tropeços não me ferem mais como antes. Aprendi a me defender, a me poupar da dor, a negociar com a vida e solicitar meus créditos.

Hoje consigo resgatar em mim uma força quase esquecida. Ouço meus desejos sussurrando e os mantenho aconchegados no travesseiro. Estou desaprendendo o caminho do desespero. Não vivo mais às pressas, à beira do caos. Tenho colocado em prática tudo aquilo que eu já sabia, mas não levava a sério.

Hoje tenho um norte, e a estrada que percorro é construída pelos meus próprios pés. Não estou mais em busca de uma sombra companheira. Posso olhar pra dentro e encontrar aqui tudo de que preciso. E é tão pouco o que preciso agora…

Hoje o espelho reflete a imagem que eu sempre quis ver, mas nunca pude. Meus olhos, renovados de esperança e de amor, reconhecem em mim tudo aquilo que eu sempre sonhei ser, mas duvidava que poderia.

Hoje eu fiz as pazes comigo e resolvi tornar mais leve esse tempo que chamamos de vida. Hoje eu não quero nada além de poder dormir, sabendo que amanhã ainda vai ter esse gosto doce de hoje. Porque hoje é só o começo de um novo tempo pra mim… 

!!!

Hoje acordei com você no pensamento. E, estranhamente, constatei que a saudade não me machuca mais. Sabe aquela agonia? Passou. Sabe aquela ansiedade? Passou. Sabe aquela espera? Passou. Sabe aquela vontade, que parecia maior que eu? Também passou. O que restou foi uma nova e indiscutível certeza: a de que não vou mais aceitar menos do que eu mereço.

 

 

ops!

Toc, toc, toc.

Você bateu.

Eu abri…

A porta, a janela, as cortinas, o vinho, um sorriso…

E meu coração.

 

 

Tum, tum, tum.

Eu bati.

Você me viu e fez o convite para eu entrar.

Só que, distraído, esqueceu de deixar a porta aberta…