Archive for julho \29\UTC 2005

ausências

Bem pouco de mim é teu agora. Bem menos do que haveria de ser. A incongruência dos dias me derruba diante da possibilidade de seguir incólume nesse lento caminhar. Sigo me equilibrando entre tuas negativas e meus devaneios. Vejo sangrar as verdades que contestei. E nelas me debruço para derramar o pranto amargo que tua ausência deixou. Fecho as cortinas das minhas incontroláveis aflições, buscando a temperança que faltou nos minutos todos que foram nossos. E não mais serão…

o dia depois de ontem…

E eu vou, com muito esforço e nenhum prazer, tentando me desvincular de você. Vou aprendendo a me orientar longe de tuas pegadas, tecendo o futuro sem ousar incluir-te na trama, caminhando lentamente porque sei: qualquer movimento brusco pode me ferir novamente. E abrir a ferida – que ainda ensaia cicatrizar – seria doloroso demais para um dia frio e triste como esse. Escuto um silêncio aqui dentro, murmurando palavras doces que me lembram as nossas conversas. Finjo uma surdez repentina; não quero ouvir, não posso ouvir. Porque se ouço, volto no tempo, perco-me nas lembranças felizes dos poucos encontros que tivemos e sinto vontade de chorar. Uma frase solta, uma melodia conhecida, um verso meu e pronto… Choro a saudade toda. Meus olhos turvam-se com uma neblina que arde e embaralha a realidade, fazendo tudo parecer sem o brilho que pairava sobre os meus dias em companhia tua. Em certos momentos, uma sensação estranha me furta os sentidos. Sinto-me sendo tragada para dentro de um túnel escuro, de onde não saberia sair se não houvesse uma mão estendida para me resgatar. E é incrível como você sempre aparece nessa hora. Quando preciso tanto ser salva. E quando já desacreditei que alguém pudesse ouvir meu pedido de socorro.

a razão de ser

Nasceste comigo. Vieste inserida sob a minha pele em forma de emoções exageradamente sentidas e foste tomando forma à medida que os anos se passaram. És parte de mim. Preciso de ti para ser o que sou, assim como as conchas não podem ser conchas se não tiverem o mar para fecundá-las. É através da tua beleza que consigo me mostrar ao mundo. Tantas vezes forte, tantas vezes livre, tantas vezes desencontrada. Tu me abres possibilidades várias e eu as agarro com a sede dos dias que precisam acontecer – e acontecem – em tua companhia. Tenho em ti a verdade, a vida revelada na mais perfeita combinação de expressões e sentidos. Estás comigo sempre, no meu pior, no meu melhor. E embora pareça o contrário, és tu quem me carregas por essa estrada, por vezes torta, e me mostras que a vida pode ser – e de fato é – deliciosamente simples. Tu e eu. De mãos dadas para todo o sempre. Nisso eu acredito, bendita PALAVRA!

à deriva

Choro pela dor que já veio e há de vir aumentada. Saber que amanhã será o primeiro dia de ausências tuas me corta a alma, rouba de mim qualquer possibilidade de sorrir. É como se a vida, longe de ti, não pudesse ter a alegria de antes. Como se tudo isso fosse uma grande brincadeira que acabou antes mesmo de acontecer. A saudade amortece meus pensamentos e tudo que fica é um vazio. Imensurável oceano de tristeza que abriga um sentimento: o meu gostar… Uma ilha solitária, perdida entre águas que não levam e não trazem mais você.