Archive for agosto \14\UTC 2006

deep inside

prismes.com

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Eu gosto de olhar pra dentro e saber que aqui estão todos os meus momentos especiais. Guardados, preservados, protegidos da ação cruel do tempo que torna coisa corriqueira todas as novidades, em questão de minutos. Eu gosto de saber que aqui, onde ninguém alcança, estão escondidas as tantas alegrias que vivi, meus dias de vitória, os sorrisos que me deram, os elogios que recebi, todas as lembranças que minha memória foi capaz de armazenar. Eu gosto de saber que as pessoas que partiram permanecem em mim numa canção, num cheiro, numa imagem fotografada pelos olhos e para sempre impressa no coração. Eu gosto dessa possibilidade de recolher com as mãos os instantes mais singelos e me emocionar com eles sempre que quiser. Mas o que eu mais gosto é notar aqui dentro um leve tremor de euforia quando sinto que coisas boas estão pra acontecer. É como se a alma identificasse de longe o vento que balança as cortinas quando é tempo de sorrir. É como se o universo encontrasse um jeito de me dizer que tudo vai ficar bem novamente. É como se eu soubesse, de uma maneira inexplicável, que sempre vai ser assim. Ainda bem.

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I get down on my knees and pray

Eu tenho medo de não ter tempo, porque aprendi desde cedo que o amanhã pode mesmo não chegar. Não chegou pra todos aqueles que partiram de repente da minha vida, aqueles que não tiveram tempo de se despedir, de dar o último beijo, de deixar um abraço para ser lembrado no meu corpo anos depois.

Eu tenho medo de não ter tempo, por isso ando acelerada, me jogo de cabeça, me atiro sem medo, me permito viver de verdade o que considero bom pra mim. Por conta disso já quebrei a cara, já fiz besteira, já chorei um tanto e tive que aprender a me refazer sem a ajuda de ninguém. Mas eu consegui, porque sabia que a quem é dada a coragem de viver também é dada a força de recomeçar sempre que for preciso.

Eu tenho medo de não ter tempo e isso me faz ter medo de escolher o errado, de caminhar apressada e não reparar na paisagem, de querer devorar as horas e acabar por não vivê-las.

Eu tenho medo de não ter tempo e por conta disso não sei esperar pelo futuro. A urgência é sempre tamanha que nada pode ser pra depois, porque o depois, sabe-se lá se vai vir.

Eu tenho medo de não ter tempo. E só quem tem esse medo sabe o quanto cada dia é valioso, cada presença é bem-vinda, cada gesto é guardado com carinho na memória, cada palavra é sentida e escrita no coração. Só quem tem esse medo, esse desespero em viver, pode entender como é fácil sorrir na manhã seguinte, só porque se tem mais um dia.

E isso é tudo que eu peço antes de dormir… Mais um dia.

gettyimages

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a little bit

Dragana Savkov-Bajic

Dragana Savkov-Bajic

Pressa em viver os dias, engolir as horas, devorar os instantes que parecem nunca serem suficientes. Uma certa dificuldade de manejar o tempo. O passado sempre tão vivo. O presente sempre tão efêmero. O futuro sempre tão distante. E o pensamento lá, sobrevoando as paisagens que meus olhos ainda não viram, visitando os amanhãs que ainda não chegaram. E a vida me pedindo um pouquinho mais de paciência… Espero.