Archive for junho \27\UTC 2009

caindo e aprendendo a levantar

Duas pessoas se encontram.

Uma delas traz nas mãos uma caixa. Não uma caixa qualquer, uma LINDA caixa! Grande, vermelha, fechada com fita de cetim. Dentro dela carrega seus melhores sentimentos, sua verdade, sua coragem e sua incansável esperança de encontrar alguém que mereça receber este presente.

A outra pessoa vem de mãos vazias… Recebe a caixa sem entender direito o que é, abre, dá uma olhadinha no que tem dentro, faz pouco caso, fecha e, sem nenhum cuidado, se vai. Deixa a caixa largada no chão. Esquecida…

Aí eu pergunto: Quem sai perdendo? Quem trouxe a caixa ou quem a recebeu e a abandonou?

Se der um presente a alguém e este presente for recusado, ele pertence a você. Pegue-o de volta e guarde-o com todo carinho. Pode ser que um dia, mais tarde, surja alguém que o mereça – de fato – receber.

(Estou acordada há mais de 30 horas… Qualquer equívoco ou pensamento mal colocado deverá ser perdoado.)

 

gift box

quase uma prece

Ai coração…

Por que sofres tanto?

Quase sempre em vão…

Por que tanta pressa?

Essa  gula, essa aflição…

Por que não te acalmas?

E aprendes a esperar?

Por que tu insistes em querer procurar?

Se nem imaginas onde vais encontrar?

Ai, coração…

Por que não retomas o caminho?

Não segues em frente, sozinho?

Ali adiante, quem sabe,

Numa surpresa, num repente,

Tu te deparas novamente,

Com aquela paz esquecida,

Com a sensação parecida

Àquela que chamas de amor…

 

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Que poder é esse que eu dei a você, sem nem ao menos te conhecer? Como foi que eu deixei você entrar assim, com essa pressa toda, e bagunçar o que estava ficando tão arrumadinho? Demorou tanto tempo para colocar a casa em ordem e agora você aparece, entra aqui feito uma ventania, (com o meu consentimento, o que é pior), tira tudo do lugar, derruba o que eu levei meses, talvez anos, para ajeitar… E depois, como se fosse pouco, quando eu me percebo gostando da bagunça, decide sair de mansinho, como quem percebe que adentrou o lugar errado… Não sei se o que mais me aflige foi você ter entrado de sopetão ou demonstrar agora querer sair, sem mais nem menos. Quando foi que eu te entreguei as chaves da porta? Quando foi que eu te disse que podia fazer o que bem entendesse e depois partir sem precisar de um motivo? Fico me pergutando, sem sossego… Quando foi que eu decidi querer a tua presença aqui? E por que eu quis tanto se nem sabia se você viria para me trazer flores ou espinhos? Essa coragem toda me assusta. Esse desprendimento, essa ingenuidade, essa vontade toda de fazer acontecer tem me custado caro. Tem me feito sangrar por dentro. Tem me tirado o pouco da esperança que ainda me resta. E eu continuo teimando… Por quê? Continuo querendo suas respostas… Pra quê? A raiva que eu sinto é grande. E ainda não descobri se é de você ou de mim. Sabe o quê? Vou andando. Se quiser, me alcance. Eu que não vou ficar aqui, plantada nessa agonia, esperando pela tua decisão. A vida urge. O tempo passa por mim acelerado e me faz acordar para a maior verdade de todas: eu preciso, definitivamente, tomar as rédeas e me poupar um pouquinho da dor. Essa valentia toda só tem me feito sofrer. Eu não sei se quero mais correr esse risco. Pelo menos, não por você.

O amor que eu sempre quis

Porque não se deve perder a esperança

Eu quero mesmo é um amor. Pode ser um amor feinho como o da Adélia, bem simplinho, bem básico, bem sem fru-fru. Não precisa ser lindão, mas também não pode ser jururu, não precisa ser de arrasar, não precisa embalagem fina, salto alto. Pode ser amor pé descalço, despretensioso, que, pra variar, esteja pertinho e, se não estiver, dê jeito de ficar o mais depressa e urgentemente possível. Um amor de beijar, de amassar, aprazível, anti-derrapante que não solte as tiras, não deforme mas que, por favor, tenha cheiros vários. Um amor que não morra de susto, que não se tranque no armário, que não estaqueie, que não amarele, não fique pasmo, não encrenque e pare de funcionar da noite para o dia sem garantia ou assistência técnica. Pode ser sem opcionais, sem adereços, sem rima ou métrica, sem extras e sem bônus de vale-brinde, mas precisa estar em razoável estado de conservação. Muito importante é ser amor pé no chão: chega de platônicos, de fãs, admiradores ou de amor de fantasia. Se você é daqueles que aprecia uma musa inspiradora e epifanias para carregar na lembrança e nos enlevos pro resto da vida, para sonhar, imaginar, recordar e rejubilar-se, vá procurar outra sílfide, outra ninfa, outra pobre coitada compatível com altares, alturas e símbalos sonantes. Eu quero um amor pulsante, para beijar de olhos abertos, para tratar da frieira, para ir ao supermercado, para resolver problema, para brigar por mais espaço na rede, para reclamar que desmarcou a página do livro, para passear na feira. Eu quero mesmo é uma amor bem vivo, daqueles férteis, tarados, famintos mas quietinhos, um amor de mãos dadas, de subentendidos e gargalhadas, café bem forte, beijo no pescoço, almoço de domingo, família peculiar. Eu quero um amor de se entregar que não me deixe esperando, não me pegue chorando de tristeza, que não me faça sofrer. Eu quero um amor sem aspereza, pra viver os dias todos: os muito quentes com gelo e limão, os muitos frios de pijama, chocolate e roupão. Eu quero um amor que faça da gente uma casa um para o outro, que nos torne reciprocamente refúgios contra todo o resto do mundo, um amor pra se abrir, se prescrutar, se invadir e não panicar. Eu quero um amor de surpresas boas, de confiança, de sofreguidão e de calmaria, um amor pra luz do dia e o mesmo amor para as noites vadias, um amor para enfrentar tudo e todos juntos com a certeza de que ainda que não sobrasse nada, sobraríamos nós, um pra ser o amor do outro.

*Patricia Antoniete Ferreira é uma advogada portoalegrense que publicou este texto originalmente em seu blog, o Mme Mean, quando ainda tinha pouca esperança de encontrá-lo e hoje sabe que ele realmente existe.

Trust me

Abra um enorme sorriso pra vida, mesmo (e especialmente) quando tudo ao redor for motivo para não sorrir. A vida te sorrirá de volta. É fato!

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quando as palavras fogem…

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