Archive for setembro \30\UTC 2009

agora chega, quero sair!

olhos vendados

Eu me lembro bem dessa sensação. Foi quando, pela única vez na vida, quis entrar num labirinto… De início, aquela mistura de aflição e adrenalina, ao me perceber sozinha e, ao mesmo tempo, cercada de mim por todos os lados. Parecia divertido! Ia andando, com as mãos à frente tentando chegar antes. Tentava de um lado, nada. Tentava de outro, nada. Algum tempo depois, ao ver minha imagem refletida naqueles espelhos todos, eu pensava: por que foi que eu entrei? Mas já que estava ali, só me restava seguir. Perdi a conta de quantas vezes bati a testa, pensando ter encontrado o caminho certo. E me lembro bem que, aos poucos, a respiração foi ficando pesada, o coração apressado e as pernas ansiosas para sair correndo dali. Mas para isso eu precisava fazer escolhas certas, precisava descobrir onde ficava a saída. Em determinado instante aquilo tudo perdeu completamente a graça e eu quis a possibilidade de dizer ‘oi, eu cansei, posso sair?’. Mas não havia alguém ali pra me ouvir, que dirá para atender meu pedido. Então eu continuei. Só depois de muito tempo, de muitas batidas de cabeça, de um leve desespero me assombrar, eu finalmente consegui sair. Que alívio! As lágrimas só não caíram porque eu tava brava demais comigo e não deixei. Naquele dia, prometi a mim mesma que nunca, jamais, aceitaria participar dessa brincadeira idiota. O que eu não sabia é que  a vida – invariavelmente – nos coloca em labirintos como aquele e  nem pergunta se queremos entrar…

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percepções e novos ares

Não precisa pedir desculpas. A culpa não é sua, eu sei. Fui eu que acreditei nas promessas que você não fez, que ouvi as coisas que você não disse, que li no seu olhar os sentimentos que você não tem. Não por mim. Eu é que me engano de vez em sempre, que crio fantasias na esperança de poder vivê-las mais adiante. Não, a culpa não é sua. Você só entrou porque eu deixei a porta aberta. Você só voltou porque eu fui te chamar. Você só ficou porque eu dei a entender que queria sua presença aqui. Não olhe pra trás agora. Não queira entender o que estou pensando ou sentindo. Siga seu caminho, afinal sua escolha ta feita e é nela que você tem que confiar. No mais, eu daqui vou aprendendo com meus próprios erros. A vida não é má, ela apenas te dá aquilo que você acredita merecer. E se tem alguém precisando rever tudo e colocar ordem nas coisas, esse alguém sou eu. Definitivamente, preciso me lembrar, com carinho, que mereço muito mais que isso, muito mais que você!

all I can do is keep breathing…

Às vezes a gente se engana. Faz uma escolha, pensando ser a mais certa, até descobrir que não era. Aposta no novo, acreditando que aquela sensação de novidade vai durar o suficiente para a vida parecer melhor do que era antes, mas não. Às vezes a gente abre o coração, se entrega, se permite e, quando acorda, o outro já caiu fora e largou o barco sem dar explicações. Às vezes a gente pensa pouco e age depressa. Às vezes pensa demais e paralisa. E no meio disso tudo, tenta aprender alguma coisa, entender o recado que está sendo dado, para que numa próxima vez não se engane da mesma maneira. Às vezes funciona, mas às vezes não. E a gente se vê triste por motivos conhecidos, por escolhas novamente erradas, por perceber que embora tenha aprendido tanto, há muito mais para aprender…

looking for

“E tudo mais que existe,

além desse cenário triste,

é o que eu ainda não encontrei…”

 

Imagem de Irene L

Imagem de Irene L

fome

 

Imagem de Irene L

Imagem de Irene L

 

“O ruim de não ter NADA é que a gente corre o risco de se contentar com MIGALHAS.”


apenas uma maneira de ver

O que ocasiona nossos tombos não são os buracos… Mas essa estúpida pretensão que temos de querer desviar deles sem precisar mudar o caminho.


na escuridão da noite

secretDe repente o túnel parece longo demais… Tão extenso, que não consigo saber onde termina e se lá na frente existe algo melhor do que a escuridão que vejo daqui. O que me resta é seguir caminhando, mesmo sem saber onde piso ou se daqui um segundo vai haver uma curva para a direita ou para a esquerda. Vou devagar, obedecendo a prudência e evitando cair nesse solo desconhecido. Mas nem por isso a pressa me dá trégua. Na verdade ela não entende a lentidão que a situação me obriga a aceitar. E como uma ave, perdida de seu bando, eu vou tentando encontrar a melhor maneira de continuar. Torcendo para que o dia amanheça, o sol apareça e volte a brilhar. Quem sabe assim, à luz do dia, meus olhos consigam ver o que me parece impossível até de imaginar nesse momento. Quem sabe assim eu descubra não só o melhor modo de caminhar, mas principalmente em que parte da estrada eu deixei cair a minha PAZ…