Archive for julho \28\UTC 2009

o que eu TANTO quero

alone

 Chorar toda a dor que ficou contida. Deixar sangrar as feridas. Aceitar que ontem não foi um bom dia e hoje também não. Permitir que as lágrimas    escorram pelo rosto, sem sentir vergonha alguma. Aceitar o que não é mais e o que nunca virá a ser. Entender que é assim mesmo que funciona… Se  você não muda as atitudes, os resultados são sempre os mesmos. Reconhecer que, outra vez, não deu certo. Ainda não. Refazer a fé e a esperança.   Compreender que ninguém pode fazer por mim o que me cabe. Perdoar a ausência de todos que eu queria ter por perto. Sentir. Deixar vir à tona. Largar mão. Respirar. Olhar para o outro lado. Não camuflar. Não fingir. Não querer parecer sempre forte. Pedir pra Deus uma trégua. Refazer as escolhas. Renovar a confiança e voltar a crer. Não ser tão ingênua. Não ceder. Não querer ser o que, definitivamente, não sou. Esquecer. Deixar ir embora. Soltar os pesos do balão. Abraçar a felicidade. Deixar que o novo venha e traga surpresas boas. Permitir. Esperar o inesperado. Acreditar no que de fato é, e não no que parece ser. Desfazer as promessas. Fazer outros planos. Esvaziar as lixeiras. Limpar a mente. Lavar a alma. Sonhar. Pedir. Confiar na entrega. Dar um tempo. Ir devagar. Relaxar. Amar o que sou. Não esperar por ninguém. Caminhar. Straight ahead. Partilhar angústias. Falar. Ouvir. Pedir que me ouçam. Encontrar a paz já esquecida. Fazer valer a pena. Tentar de novo. Tentar o novo. Escolher outra direção. Construir outro caminho. Escrever uma nova história. Deixar a ansiedade cair pela estrada. Dizer NÃO. Sair pela porta dos fundos. Dormir. Ficar em paz. Morrer em mim e renascer mais forte. Voltar a existir…

let’s try again

De repente um silêncio. Uma ausência completa de certezas. Aos meus pés, um novo caminho, uma estrada desbotada, esperando pela cor dos meus passos. Um de cada vez, agora. A pressa despediu-se e partiu, deixando em mim a inédita possibilidade de viver sem dor. Desapego. Perdas necessárias para que seja possível haver espaço para o novo. O novo olhar sobre as mesmas coisas, o novo respirar dos mesmos ares, o novo querer sobre as mesmas vontades. Um momento nunca antes sonhado, nem sequer previsto. Tudo diferente. Um script alheio a essa história, que já me parecia tão precocemente escrita. Palavras novas. O papel em branco desejando ser preenchido. As horas, tão longas agora, trazendo de volta as chances que desperdicei. Pouco tempo pra sonhar. Poucos sonhos tornados realidade. E no vazio da minha vida, vou procurando sentido para tudo que ainda há de ser. Resgato em mim a força, quase perdida; a esperança, quase morta; a fé, quase adormecida. Sigo firme, embora sabendo muito pouco. Aceito, com a serenidade que me é possível manter, o recomeço, a nova etapa, o singelo recado da vida. Do futuro, admito nada saber. E reconheço, sem ao certo entender como, que aquele livro chegou ao fim. Mais que uma página virada, uma história que teve seu ciclo terminado. Sobre as incertezas todas, construo meu universo de possibilidades. Sabendo, enfim, que a única opção é continuar…


walking alone

against all odds

You’re the only one who really knew me at all…

A VIDA NÃO É DE SE PREVER…

e ponto final.

constatação

hand in hand

Quando a onda te encobre e você não alcança o chão. Quando um temporal desaba e você não tem onde se esconder. Quando o frio chega sem aviso e te pega sem cobertor. Quando os dias são longos e as horas teimam em não passar. Quando tudo é breu e você não consegue tatear as coisas. Quando o sol se esconde e deixa sobre você uma nuvem escura. Quando bate o medo e não há ninguém para te dar a mão. Quando a ventania te derruba em pleno voo e você se descobre sem forças para levantar. Quando uma angústia se aconchega no peito e não há nada que a amenize. Quando é noite e nenhuma estrela brilha no teu céu. Quando a vida te dá rasteiras e não tem ninguém por perto para dizer que vai passar. Quando você se desespera e ninguém ouve seu pedido de socorro. Quando é você e mais ninguém quem tem que decidir, escolher, refazer, lutar, sentir, correr, nadar, tentar novamente. Quando o mundo parece ter se esquecido que você existe. Quando suas lágrimas caem e não há nada que faça parar. Quando tudo parece fora de ordem, desencaixado, desajustado, desalinhado. Quando uma tristeza visita sua alma e ali permanece por dias. Quando é assim, você se dá conta de que é só, está só. E de você dependem todas as tentativas para reverter a situação, embora pareça impossível conseguir sem ajuda de alguém. Quando é assim só Deus para dar algum conforto e te fazer erguer a cabeça e seguir. Só. Você e Ele. Mais ninguém.

fechada para balanço

Eu não me importo de ter que desistir de um propósito, se a vida me mostrar que será melhor assim. Não reluto para abrir mão de velhas convicções. Não sou refém de escolhas antigas. Não preservo em mim o que já foi experimentado e deixou como sequela mais dor do que sorrisos.

Mas ainda insisto em algumas crenças, porque sinto que são elas que me fazem ser quem sou. São elas que compoem minha essência, que preenchem minha alma de ‘certezas’ sobre tudo que eu ainda nem sei.

Ainda acredito na beleza de ser verdadeira, de me mostrar sem disfarces, de não fingir, de não camuflar. E assim vivo me expondo, dando a cara à tapa, entregando de bandeja, inclusive, as fragilidades que guardo comigo.

Minhas intenções não vivem escondidas, aguardando o melhor momento. Não tenho estratégias de ataque, muito menos de defesa. Não entro no jogo, não me submeto, não incorporo personagens, não visto a máscara que tanta gente não vive sem.

Eu entro de cabeça sendo o que sou, me mostrando imperfeita e simples, permito que me decifrem, que me leiam, que me conheçam, sem antes exigir qualquer garantia de boas intenções ou coisa que o valha.

Eu simplesmente vou, sem medo algum, sabendo dos riscos, sujeita a me ferir, a sangrar, a sofrer. Vou, com a esperança refeita, mesmo (e principalmente) depois de ter levado tombos graves, de ter quebrado mais que duas costelas, de ter sentido na pele o incômodo dos desenganos.

Caminho nesse ritmo acelerado, porque ainda não desaprendi. Porque meus passos querem alcançar o amanhã enquanto é tempo. Porque minha sede de viver é urgente, é à vista, não tem paciência para esperar o momento seguinte, que pode mesmo não chegar.

Aqui dentro, luto contra mim mesma. Reluto para não esmorecer, não desistir, não perder a fé, não deixar que as decepções levem embora o que de belo ainda consigo preservar intacto. Mas confesso que a cada dia essa batalha me parece um tantinho mais perdida. Porque eu tenho deixado a porta aberta e, ultimamente, quem entrou não deixou nada de bom pra mim. Pior: foi embora sem dar aviso e ainda levou o que eu achava que era meu.

Algo me diz que é prudente trancar as portas por um tempo. Deixar que o tempo, esse dia após dia, me devolva o que arrancaram de mim.

 

closed

All I can do is keep breathing

Eu procuro explicações que não encontro. Tento refazer o percurso escolhendo novos caminhos, mas quando me dou conta, escolhi errado de novo. E me descubro perdida. Tantos becos, tantos atalhos, tantas estradas floridas que não levam a lugar nenhum… Meus pés cansados. Minha fé abalada. O peso do mundo nos meus ombros. E aqui dentro apenas um desejo, sincero e urgente: descobrir que acertei dessa vez, só pra variar um pouquinho…

Porque embora a esperança seja grande, também precisa de motivos para continuar existindo.

 

o sol 2